Hoje, sentei-me em frente ao pouco que ainda me liga a este universo, a vocês, a pessoas que me lêem (obrigado), este pequeno ecrã – assumo – sinto-me só. Não, não bebi, não me droguei, não mandei uns "fuminhos" para a “tola”, não caí e bati com a cabeça, não estou a ter alucinações, não me juntei a nenhuma ceita, estou, aliás, bem consciente, bem sóbrio sobre aquilo que vos escrevo e não sei como escrever, por isso, deveria estar num qualquer dos estados de embriagues que referi acima, mas não estou.
Dar um título destes a um texto publicado num blog de “viagens” é como começar por perguntar de onde vim e para onde vou? Enfim, é uma questão sem resposta e desadequada para o efeito que se pretende, mas perceberão – acho!
É assim que vos confesso, mais uma vez, quase no fecho destas palavras mil que construíram e abrilhantaram, ou não, este blog...
…que tenho um sonho e não sei se não será, apenas, uma ilusão! Esta é a questão…
Ora vejamos, há neste mundo poucos sonhadores que lutam de forma convincente e coerente por eles. Muitos desistem dos mesmos quando pensam que já os atingiram, mas com certeza, estarão ainda longe desse feito, do que quando ainda os sonhavam, explico…
Quantos de nós queria ser piloto de aviões, astronauta, bombeiro, polícia e hoje são banqueiros, académicos, consultores imobiliários ou gerentes de loja. Diria, sem querer ofender os sonhadores que o são por inteiro, que quase todos.
Ora o meu sonho é pretensioso demais, leva-me a identificá-lo com uma expressão, uma pequena palavra que não gosto de usar para o definir, é um sonho que mesmo que o consiga realizar é quase inatingível.
Eu sonho poder ser “viajante”, partir ou sair de casa, deixar tudo para trás e seguir, de mochila às costas, bagagem de mão ou sem nada, à boleia de um TIR, de um cargueiro, de um comboio, de um qualquer carro que passa e quem o conduz lê no cartaz, que seguro firme com as minhas mãos, “Boleia para França – Vindimas”, conhecer pessoas de todos os ângulos sociais, poder ajudar pessoas que precisam da minha ajuda e ser ajudado quando estiver em apuros, conhecer toda a Europa e as suas diferentes culturas, a Ásia, a Oceânia, as Américas e África, os cheiros, a cor do céu, a força do sol, a beleza das suas gentes e das estrelas ao cair da noite, partir com apoios ou sem eles, mas para tudo isto é preciso ser-se um sonhador a sério, um daqueles como já há poucos.
Mas sonho fazendo-o com responsabilidade, não me querendo preocupar se a minha carreira está posta em causa aqui em Portugal, que a minha idade avança, que tudo o que fiz até agora foi inútil e que só veio provar que não somos livres, mas dizer ou escrever isto já é quebrar o sonho, porque o sonho é o todo, acontece porque sim, É-se porque se tem de Ser, sonha-se porque se É o que se quer Ser.
Identifico, para que compreendam ainda melhor o que quero dizer, alguns quase “viajantes” e grandes sonhadores, Fernão de Magalhães, Paul Theroux, Gonçalo Cadilhe, entre outros.
Pergunto-me se o meu sonho não será somente uma ilusão? Querem a minha resposta?
obs: preparo a passo lento o vídeo, aquele que, de forma simples, vos fará uma retrospectiva muito resumida do que foram 3 meses e 10 dias a viajar por Portugal – o meu/nosso país – ainda se trata de um esboço mental e alguns slides já trabalhados, por isso, vejam o atraso.
obs1: tenho já o último e pequeno texto escrito…não sei quando o publicarei.